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Mente e pele: uma relação muito íntima

Por:digitalpixel
Artigos e Publicações

17

jul 2014

Tânia Nely Rocha, médica pela UFMG, Dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, pós-graduada em Psicoterapia Integrativa e em Psicologia social pela UNAT Brasil

É comum ouvir pessoas dizerem “estou com os nervos à flor da pele”, “fiquei vermelho de vergonha”, “roxo de raiva”, ou suar mais que o normal na hora de uma reunião importante, ficar cheio de espinhas um dia antes de um encontro especial. Há ainda a possibilidade de apresentar sintomas mais sérios de doenças como psoríase, vitiligo, alergias, infecções, como o herpes, e queda de cabelos em períodos de estresse. Esses problemas podem ocorrer num período de desafios ou dificuldades de relacionamento interpessoal, tais como nos relacionamentos profissionais, sociais, na perda de alguém que se ama ou na relação amorosa.

Uma abordagem cientifica – a psiconeuroimunodermatologia – comprova que questões emocionais influenciam a pele, os cabelos e as unhas e que é possível tratar estas dermatoses levando em consideração as emoções. Problemas da pele associados com as alterações emocionais sempre foram observados pelos médicos, porém até pouco tempo a ciência não conseguia explicar como e por que estas manifestações ocorriam no organismo.

Com o desenvolvimento progressivo da ciência no campo da psiconeuroimunologia é possível afirmar que mensageiros químicos do sistema nervoso – neuropeptídeos e outros neurotransmissores – levam informações do cérebro para os receptores da pele e vice–versa. Por isso, hoje é possível afirmar que ansiedade, euforia, tristeza, angústia, estresse e depressão podem acabar causando alguma reação no organismo, inclusive, na pele, nos cabelos e nas unhas. Diversas pesquisas têm mostrado que os sistemas endócrino, nervoso e imunitário formam um único sistema que recebe a influência direta da mente. Estima-se que mais de 40% das manifestações cutâneas estejam associadas a influências psíquicas.

Quem pode afirmar que está livre do estresse, sobretudo, quando se vive em grandes cidades? Contudo, o que mais importa não é o problema que temos e sim como o elaboráramos e que atitudes temos frente a um problema da vida. Podemos inclusive transformar um problema em desafio!

Vejamos um bom exemplo usando uma metaforicamente as escolhas de um surfista. Na hora de praticar seu esporte ele não seleciona apenas as ondas do mar. Antes avalia em qual praia vai entrar, verifica a direção e a velocidade do vento e as condições do mar. Prepara-se fisicamente para só depois praticar seu esporte favorito. Quando está em cima da prancha, ele surfa à sua maneira, buscando aproveitar o que de melhor tem cada onda, utilizando as experiências e técnicas adquiridas nos anos de prática no mar.

Assim precisamos agir na vida. Devemos observar várias atitudes para cuidarmos de nossa saúde, escolher o melhor de cada situação e utilizar nossas experiências para viver da melhor forma possível.

Vários profissionais, como médicos clínicos e especialistas, psicólogos, fisioterapeutas e varias outras áreas que integram as clinicas de sáude estão unindo esforços e estudos de forma integrada e multidisciplinar. Afinal, se a mente pode desencadear ou agravar uma doença cutânea, pode também ser usada como fonte de cura ou controle dessas mesmas doenças.

O paciente não precisa estranhar se o médico pedir informações sobre sua vida emocional. Uma boa avaliação médica clinica, apoiada se necessário por exames complementares pode indicar que também será necessário o uso de recursos de tratamento no aspecto psiquiatrico ou psicológico. Isso pode ser a diferença para se obter melhores resultados na cura de uma determinada doença cutânea.

Pele e mentes guardam uma relação íntima e delicada. Saber avaliar e cuidar dessa relação certamente beneficiará a pele e todo o corpo. Para uma boa saúde, o pensar, o agir e o sentir precisam estar em equilíbrio, assim como as três pulsões básicas da vida – a sobrevivência, a criatividade e o descanso.

Artigo publicado em Junho de 2011 no Jornal Estado de Minas


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